domingo, 28 de fevereiro de 2010
A campanha polêmica que nem existiu
A campanha antitabaco que deu a volta ao mundo não existia. Tudo começou na terça-feira, 23 de fevereiro, quando a publicação ‘Parisien’ mostrou duas fotos que mostravam jovens de joelhos diante de adultos, numa posição de claras conotações sexuais, ou seja, comparando o ato de fumar ao de praticar sexo oral a força.
Esta campanha marcada pelo escândalo rapidamente se estende por toda a França, desde a cadeia TF1 até France 5, do Canal + a Frane Inter. Logo, chega a outros países, como Espanha, salta o Atlântico (The New York Times, por exemplo, entra na polêmica) e aparece em qualquer confim do planeta (no canal do Partido Comunista Chinês, a CCTV, também mostrou as cenas).
Porém, como contou a edição digital do ‘Le Monde’, ninguém viu esta campanha, nem nas ruas, nem em banners, nem outra forma publicitária: os jornalistas e blogueiros simplesmente receberam um e-mail da agência publicitária BDDO, que adiantava o lançamento de uma campanha com os jovens como alvo e a tornaram conhecida gratuitamente a profissionais do meio.
A partir daí, graças ao impacto que provocam as fotos, correram como pólvora pela Rede. A campanha não havia sido lançada e já vários relatos haviam pedido a ação da Autoridade de regulação profissional da Publicidade (ARPP).
Estes confessaram. “Não havia campanha de publicidade. A agência nos disse que se tratava de 15 mil cartões distribuídos nos clubes noturnos nos bares da Ile-de-France”, afirmou José Besnaïnou, diretor geral da ARPP.
Mas, como houve protesto inclusive de Nadine Morano, secretário da Família, a ARPP ordenou na sexta-feira “o encerramento imediato da campanha”.
Na origem não existia, mas depois da revoada pode-se dizer que sim, graças ao impacto destas imagens nos meios de comunicação. Todas as expectativas já estavam perfeitamente superadas no momento em que por fim, nesta mesma sexta-feira, as fotos foram mostradas nas revistas ‘Choc’ e ‘Entrevuees’, assim como recordou ‘Le Monde’. O trabalho já estava feito antes, e sem pagar um tostão.
Leia na origem aqui
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