Hector Soto*
Não somos nada. Grande novidade. Isto sabem até os maus filósofos e qualquer metafísico do tango é capaz de pentear-se com a idéia. Mas é o saldo – o saldo a e sensação – com que se fica depois de uma experiência assim. Os terremotos, com a força que têm no Chile, são seminários curtos, mas muito intensivos de humildade. Nos reduzem à condição de baratas. Nos expõem a mais absoluta indefesa. Nos enfrentam as verdades elementares do terror, o incontrolável e o desconhecido. Saem para fora o Narciso ou o neurótico que temos disfarçados; às vezes os dois. Ali onde nos sentimos complexos e cultos, aparece o básico que podemos ser.
A experiência ou nos deixa muito para dentro – bloqueados, aterrorizados, descompensados – ou nos puxa compulsivamente para fora. Tratamos de achar uma explicação, algum sentido ao ocorrido e como não encontramos, nem tem, nos sentimos alvejados. Como Jó, também nos perguntamos por que nós. E, bem, nos lamentamos e pensamos que nos ocorreu uma tragédia, até que a televisão nos recorda que sempre tem compatriotas que sofreram mais.
Tradução: JB Cardoso
*Advogado e jornalista, com participação em jornais, revistas e rádios chilenas. O blog está publicado no site La Tercera.com
Leia o texto completo em espanhol aqui
voltar
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário